Sobre padrões, expectativas e estereótipos

Eu queria saber quem foi o infeliz que declarou que temos que ser coerentes em tudo. Se gostamos de MPB cult não podemos gostar de funk e dançar até o chão. Se gostamos de ler Foucault não podemos ler Harry Potter/Crepúsculo/Nicholas Spark. Se assistirmos filmes do Godard não podemos ver aquela comédia bobalhona que nos faz rir horrores. Se eu for meio hippie não posso jamais passar um dia no spa ou no shopping se der vontade.

Quem inventou essa merda? Quem disse que precisamos ser uma coisa só o tempo todo?

Porque eu não posso amar aquele samba de raiz que ninguém conhece, ir na mesma roda de samba há anos e conhecer um bom repertório e história do samba e depois me acabar no baile funk? Porque não posso passar um dia fazendo compras no shopping e depois viajar super roots pro sana/aldeia velha/são thomé/próx. lugar hippie desconhecido e descolado? Porque não posso me distrair com uma comédia romântica melosa e depois ver um super cult intelectual filme do Almodovar?

Aonde uma coisa anula a outra? Aonde um tira o valor do outro?  Daonde veio esse julgamento tão surreal? Porque essa arrogância intelectual gigantesca?

Porque precisamos encaixar as pessoas em caixinhas e achar que elas tem sempre que se comportar daquela forma? Alguém me explica?

Eu vou dançar!

Decidi parar de ouvir minha cabeça e seguir meu coração. Me matriculei em uma faculdade de dança que sempre quis fazer mas nunca achei que eu poderia realmente levar como algo “sério”.

A cabeça pira tentando adivinhar mil formas de ver como isso vai dar errado e que eu vou acabar na rua ou sendo muito infeliz em um emprego qualquer. Mas meu coração tá saindo do peito gritando em uma celebração há muito contida. E sinto que mesmo se tudo der “errado” vai estar tudo “certo”, sei que dessa vida não vou viver e morrer com o torturante e agonizante “e se eu tivesse feito aquilo que eu realmente queria…”

Eu amo dançar, não sei porque, não faço a menor idéia. Eu só danço, é como se fosse parte de mim. Danço o que sou, o que sinto, danço pra liberar a dor, pra me sentir, pra me conectar, pra sair dos meus padrões, pra me alegrar quando a vida não tá fácil. Danço pra lembrar que eu existo.

O que e como eu vou fazer depois dessa faculdade? Sinceramente eu não sei.

O que eu sei é que eu preciso ir sentir com a minha própria pele e dançar com meus próprios pés pra saber. O amanhã ninguém sabe mesmo, e ainda bem! Que não deixemos nossos medos e inseguranças sobre o futuro estraguem a delícia de ser surpreendido por ele.

Que tenhamos coragem de seguir essa voz que vem lá de dentro, não se deixando levar por irreais consequencias que estão só na nossa cabeça. Que tenhamos confiança que nada importa mais do que ser de verdade quem somos.

Sobre mudanças(?)

(Livres para ser o que queremos ser)

Eu sou um ser em constante mudança e evolução. E que vive intensamente, e quando não consegue ainda sim deseja vivê-lo. Sinto que a vida é preciosa demais para não aproveitá-la em todas as suas faces, sejam elas “positivas” ou “negativas”. Tudo faz parte. Só não vale o morno, o meio termo, o tanto faz, de qualquer jeito. Sinta tudo, viva tudo, expresse tudo. Não deixe o tempo passar em branco.

Eu sou uma buscadora. Quero experimentar, sentir na pele, descobrir as minhas reações e gostos ao invés de imaginar como seria através de opiniões e visões vindas de fora. Acredito que nada ultrapassa o gosto da sua própria experiência.

Pra isso, é preciso intensidade. Ir a fundo no que se faz, a cada momento, em cada fase. E quando se sente que não há mais uma real vontade e propósito de estar ali e quando seu coração grita que é hora de se mover para uma nova e talvez desconhecida fase, é preciso escutar e seguir.

A vida é movimento e como já disseram muitos, só o que está morto não muda. E eu mudo bastante, mas ao mesmo tempo sinto que cada vez sou mais eu mesma. Acho que o processo de mudança é nada mais do que uma desconstrução de tudo aquilo que você não é de verdade.

Já fui desde a hippie porra-louca que vira mil noites em bar até a aquela que troca qualquer viagem psicodélica por um retiro de silêncio. Já fui de carnívora a vegana e depois carnívora feliz de novo. Já fui de comer junk-food e agora sou toda natureba. Já fui de beber e fumar quase todo dia a não usar mais nenhum tipo de droga. De super consumista a mochileira que só tem o que carrega nas costas. De rir de quem fazia trabalho voluntário a ensinar cursos de meditação em favelas e bairros através de uma Ong. De ateísta convicta a seguidora de um Guru na India e depois a discipula do meu próprio coração e intuição. De sedentária a super ativa. De botar a banca de que nunca ia querer dirigir na vida a tirar a carteira, alugar um carro e ser feliz demais descendo a highway 1. De odiar os EUA pelos motivos óbvios políticos e jurar nunca pisar lá a fazer um dos meus melhores mochilões em terras californianas e me apaixonar por aquilo tudo.

Em cada fase aprendi horrores. Mas precisei sentir por mim. Não porque alguém me falou que aquilo era certo ou melhor, eu precisava saber se em meu corpo e emoções aquilo também fazia aquele sentido.

E se em algum momento aquilo não tivesse mais lógica ou me trouxesse algum benefício, já sentia que a hora de mudar de novo está próxima. E que em cada mudança eu aprendia e crescia mais, descobria muito sobre mim, sobre as pessoas, sobre como o mundo funciona.

Eu descobri que não preciso ser sempre a mesma e que não tenho a menor obrigação de fazer sentido pra ninguém, e me permito livremente mudar de opinião, gosto, ideologia e filosofia quando eu bem sentir essa verdade dentro de mim.  Somos livres!  E isso vale tudo.