Sobre padrões, expectativas e estereótipos

Eu queria saber quem foi o infeliz que declarou que temos que ser coerentes em tudo. Se gostamos de MPB cult não podemos gostar de funk e dançar até o chão. Se gostamos de ler Foucault não podemos ler Harry Potter/Crepúsculo/Nicholas Spark. Se assistirmos filmes do Godard não podemos ver aquela comédia bobalhona que nos faz rir horrores. Se eu for meio hippie não posso jamais passar um dia no spa ou no shopping se der vontade.

Quem inventou essa merda? Quem disse que precisamos ser uma coisa só o tempo todo?

Porque eu não posso amar aquele samba de raiz que ninguém conhece, ir na mesma roda de samba há anos e conhecer um bom repertório e história do samba e depois me acabar no baile funk? Porque não posso passar um dia fazendo compras no shopping e depois viajar super roots pro sana/aldeia velha/são thomé/próx. lugar hippie desconhecido e descolado? Porque não posso me distrair com uma comédia romântica melosa e depois ver um super cult intelectual filme do Almodovar?

Aonde uma coisa anula a outra? Aonde um tira o valor do outro?  Daonde veio esse julgamento tão surreal? Porque essa arrogância intelectual gigantesca?

Porque precisamos encaixar as pessoas em caixinhas e achar que elas tem sempre que se comportar daquela forma? Alguém me explica?

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